segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Devocional 31 - A Obediência gera Proteção

Leitura Bíblica: Êxodo 39 e 40

"E os filhos de Israel fizeram segundo tudo o que YHWH havia ordenado a Moisés. Assim o fizeram." (Ex 39:32/BTX)


Três meses depois de saírem do Egito, ao estacionarem no deserto ao lado do Monte Sinai (Ex 19:1-2), Deus deu uma ordem a Moisés de construir um lugar onde seria a Sua habitação entre o povo (Ex 25:8-9), lugar que Ele se faria presente de modo "visível", já que o povo temia ouvir Sua voz e sentir a Sua presença (Ex 19:9,11,15-19; 20:19).
Moisés seguiu a risca cada detalhe especificado por Deus.
Não foi uma tarefa fácil. Estavam num deserto com muitas limitações. Mas tudo fora feito com afinco e muito esmero a fim de obedecer ao Deus que os tirou da terra do Egito e lhes prometendo dar um território onde seria, perpetuamente deles por meio da sua descendência.
Deus convocou as pessoas para o trabalho, ofertas foram levantadas, o material foi chegando e o próprio Deus capacitando cada homem e mulher no entalhamento, na construção, na tecelagem e nos bordados e arabescos.
Foram nove meses de muito trabalho.
Cada peça tinha uma especificidade: tamanho, forma, peso, material que seria usado, entalhes, engastes, encaixes, função, local correto para colocá-lo no Tabernáculo, quem usaria, como usaria e quantas vezes seria usado e para quê.
E tudo foi feito, criteriosamente.
Chegou o grande dia!
Tudo pronto, montado, cada coisa em seu lugar. Os sacerdotes devidamente vestidos. Arão, o sumo sacerdote, pronto para começar as funções.
E a glória desceu!
Deus havia se materializado em nuvem durante o dia e numa coluna de fogo durante a noite, desde que o povo saíra do Egito. Ficava sempre a frente do povo e no alto céu.
Agora, Ele pousa sobre o tabernáculo preenchendo aquele lugar com Sua presença de modo que todos podiam ver, de pertinho, Aquele que os guiava e os protegia no deserto de uma forma mais distante.
A forma escolhida por Deus para se apresentar não fora um mero acaso. O deserto sofre mútuas variações de calor e frio durante o dia. Como é raro chover, a temperatura oscila muito, podendo chegar aos 50º durante o dia e -10º à noite. Imagine viver assim durante 40 anos?!
Isso acontece porque, nos desertos, a baixíssima umidade do ar faz com que ele não retenha o calor que incide durante o dia. Com pouco vapor d’água na atmosfera, quase não há formação de nuvens, que ajudam a evitar oscilações de temperatura.
As nuvens funcionam como uma espécie de estufa, que retém o calor absorvido pela superfície terrestre, evitando grandes perdas durante a madrugada, afirma o engenheiro agrônomo Miguel Ângelo Maniero, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus de Araras (SP).
Sem esse “cobertor” de nuvens, o calor se dissipa quando anoitece. Além disso, o solo seco do deserto, devido à falta de água, perde rapidamente calor para a atmosfera, diz o engenheiro agrônomo Luiz Carlos Ferreira da Silva, da UFSCar. É por isso que, no mesmo dia, a temperatura poderia variar dos tórridos 50º de dia para os 10º negativos à noite!
Como Deus é perfeito!
Além disso, a noite a coluna de fogo clareava o deserto que possui uma escuridão densa devido a areia, tornando possível a locomoção dando segurança ao povo, que poderia ser invadido pelos povos próximos.
Como Deus é tremendo! Seu cuidado, proteção e provisão eram frequentes ao povo e eles agora podem não só sentir a presença do Criador como também ter a certeza do Seu cuidado.
E todas as vezes que Deus queria que eles saíssem daquele lugar e viajassem até outro, a coluna se levantava e começava a se mover em direção do novo local.
Realmente a obediência protege (Sl 5:12).
Fazer o que Deus nos manda é a melhor opção pra vida.
Que possamos obedecê-Lo sem questioná-Lo, pois em tudo há um propósito (Ec 3:1).



 




domingo, 30 de janeiro de 2022

Devocional 30 - Um Exemplo a Seguir

Leitura Bíblica: Êxodo 36 ao 38

"E todos os peritos que faziam a obra do santuário, deixando cada um a obra que fazia , foram a Moisés e disseram: O povo traz muito mais do que é necessário para o trabalho que YHWH ordenou fazer. E Moisés deu ordem e lançou um pregão pelo acampamento dizendo: Nem varão nem mulheres se afanem mais pelas ofertas para o santuário. E o povo foi restringido de contribuir, pois havia material suficiente para fazer toda a obra, e ainda sobrava." (Ex 36:4-7/BTX)


Para construírem o tabernáculo e todos os seus utensílios, roupas sacerdotais e produzir incensos, era preciso material. O povo voluntariamente começou a ofertar o que possuíam e o que haviam despojado os egípcios quando saíram do Egito (Ex 3;22,12,36).
Ouro, madeira, tecido, pedras preciosas, bronze, prata, azeite, perfumes, corantes e mão de obra.
E o trabalho ia de vento em popa quando perceberam que o povo não parava de ofertar. Fazendo as contas, pelo que já estava pronto e o que ainda faltava fazer, observaram que o material arrecadado era mais que o suficiente para terminar a construção com sobras. Não era mais necessário que o povo continuasse ofertando, e decidiram falar pra Moisés pedir o povo para parar, pois o que arrecadaram era mais que o necessário.
Que texto exemplar. Quase sobrenatural.
Na sociedade atual teríamos dois problemas: o primeiro seria a honestidade de quem recebia as contribuições em não roubar o que não era seu, e o segundo seria a responsabilidade de não usurpar o povo, mas deixá-los a par de cada etapa do trabalho prestando contas.
Quando vemos a mídia noticiar que alguém foi condecorado por devolver uma carteira perdida sem mexer, penso: "Como algo certo se tornou tão raro que é preciso noticiar e recompensar?!"
As pessoas hoje querem obter vantagem em tudo. No troco, nas horas de serviço, burlando a lei, comprando direitos, inventando desculpas, enganando para benefício próprio. Parece natural a desonestidade. Já chamam de cultura o "jeitinho brasileiro".
Somos pegos em armadilhas todos os dias por achar comum o caminho mais fácil. Nem pensamos se é certo ou errado.
Mas esse texto nos dá um exemplo. Pessoas honestas que não mexiam na oferta e nem se beneficiavam da abundância para roubar, antes, reconheciam o trabalho que faziam como algo sagrado e tinham responsabilidade tanto com o serviço quanto com as pessoas que voluntariamente doavam.
Que exemplo de retidão, de justiça, de respeito ao próximo, de temor a Deus.
Que essa história nos incentive a ser melhores como pessoas, como cidadãos, e a fazer diferença transformando a mentalidade dessa geração tão corrompida.
Este é um exemplo a ser seguido e ensinado. Que comece por nós!


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sábado, 29 de janeiro de 2022

Devocional 29 - Deixe um Legado

Leitura Bíblica: Êxodo 33 ao 35


"Anunciou, pois, Moisés aos filhos de Israel: “Vede! Yahweh escolheu e convocou Bezaleu, filho de Uri, neto de Hur, da tribo de Judá, e o encheu do Espírito de Deus, capacitando-o plenamente com habilidade e artística, para projetar, desenhar e executar trabalhos em ouro, prata e bronze; para cortar e lapidar pedras preciosas e entalhar madeira para todo tipo de obra artesanal. E o SENHOR concedeu tanto a ele como a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, a habilidade de ensinar os outros. Encheu-lhes, portanto, o coração de sabedoria para todo tipo de obra como artesões, projetistas, bordadores de linho fino com fios de lã,-celeste, roxos, vermelhos e como tecelões; hábeis em toda espécie de trabalhos e exímios desenhistas de projetos". (Ex 35:30-35/KJA)

Os capítulos seguintes são uma continuação dos anteriores, e parecem repetir aquilo que está no capítulo trinta ao trinta e dois, com um pequeno detalhe: não é uma simples repetição, é uma confirmação.
No capitulo trinta e dois, vemos que enquanto Moisés estava no monte recebendo as instruções sobre a viagem no deserto, as leis, o Tabernáculo e tudo o que o Senhor faria através de Israel, Arão estava lá embaixo sendo instigado pelo povo a descumprir uma ordem de Deus: "Não terás outros deuses diante de Mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás diante delas, nem as servirás." (Ex 20:3-5a/JFAA).
Moisés precisou descer do monte (Ex 32:7-10) e num ato de ira quebra as tábuas da Lei (Ex 32:19), destrói o bezerro de ouro e pune aquela gente que havia se rebelado contra o Criador.
Agora, era preciso clamar pela benevolência de YHWH para que o povo não fosse destruído (Ex 32:11-14), para tanto, Moisés volta ao monte e Deus novamente lhe dá as tábuas da Lei e confirma tudo o que havia lhe falado na primeira vez.
Mas também tem um acréscimo nesta passagem que me chama atenção: "E o SENHOR concedeu tanto a ele como a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, a habilidade de ensinar os outros." (Ex 35:34).
Na devocional anterior vimos como Deus capacitou homens para construir uma tenda cheia de detalhes e exigências para que Ele habitasse entre o povo. Ele forjou de conhecimento, habilidade e ciência para projetar e desenvolver aquela tarefa sem nunca antes terem feito.
Era uma honra, um privilégio enorme, mas também era algo de inflar o ego de qualquer um. Imagine! De repente, do nada, aprender a desenhar, projetar como arquiteto, entalhar pedras, madeira, lapidar ouro e pedras preciosas, construir e obter conhecimento capaz de ensinar a outras pessoas tais funções. Era algo sobrenatural demais para não mexer com a vaidade de alguém.
Porém, em parte alguma lemos que eles se envaideceram. Pelo contrário, entenderam que a mão do Senhor estava sobre eles com um propósito e por isso precisavam atender o pedido do Criador e satisfazê-Lo em tudo, inclusive preparando outras pessoas para dar continuidade a obra na ausência deles.
Entenderam também que ninguém faz nada sozinho e que é preciso ajuda, agrupamento, mutirão para causas especiais. Homens, mulheres, todos que se voluntariasse poderiam aprender e trabalhar com eles para a conclusão daquela tarefa (Ex 35:25-26).
Como aprendemos com esses exemplos!
Às vezes somos levados pelo egoísmo ao entrarmos em um empreendimento ou trabalharmos num projeto, esquivamos de compartilhar com outros aquilo que sabemos. Por medo da substituição, esquecemos de construir um legado.
E sabe um segredo?! Aprendemos muito mais quando ensinamos.
Quando compartilhamos o nosso conhecimento somos garimpados, e com isso, nos tornamos mais capacitados ainda, pois o ensino aprimora, especifica, aplaina arestas. O simples fato de ensinar cria um novo método de ação dentro de nós que nos capacita a enxergar detalhes antes não visto.
Não tenha medo de ter discípulos. Seja mestre naquilo que você foi chamado a fazer.
Faça com excelência, mas deixe um legado para que seu nome seja reconhecido por outros como facilitador, instrutor e motivador.
Da mesma forma que Deus vibrou com o seu crescimento, vibre com o crescimento dos outros, e se orgulhe de ser capaz de deixar um legado na história.





sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Devocional 28 - Você vai dar conta!

Leitura Bíblica: Êxodo 30 ao 32

"Eis que eu chamei pelo nome Bazalel ben Uri, filho de Ur, da tribo de Judá. Eu o enchi com um espírito divino com respeito à sabedoria, inteligência e ciência, para todo o tipo de obra artística, para idealizar desenhos, para trabalhar o ouro e a prata e o bronze, e o jacinto e a púrpura e a granada torcida e o linho retorcido; para gravar pedras de engaste, e entalhar madeira, para realizar todo tipo de ofício." (Ex 31:1-5/BTX)


Deus mandou que Moisés construísse um Tabernáculo no deserto em forma de tenda para que pudesse ser montado e desmontado durante a peregrinação do povo até a Terra Prometida. Ali, teriam um lugar apara abrigar os utensílios também pré-estipulados por Ele como a arca da aliança, o altar do incenso, o propiciatório, a mesa dos pães da presença, o candelabro e o altar do sacrifício. Tudo muito bem detalhado por Deus a Moisés em cada detalhe de entalhe, modelo, material, tamanho e cor.
Não era um trabalho fácil produzir arte no deserto, ainda mais sagrada.
Precisavam achar a madeira, cortar, lixar, fazer encaixes, desenhos e depois derreter o ouro e cobrir tudo como pintura. Não usavam pregos, era tudo milimetricamente encaixado.
Existiam peças de ouro fundido que exigiam molde capaz de suportar altas temperaturas do ouro derretido para fazer figuras, como foi o caso dos dois querubins da arca da aliança e do candelabro.
No Egito, trabalhavam em construções e como ofício eram agricultores e pastores de ovelha. Eram homens simples. Mas Deus os capacitou para a obra. Deu inteligência e revelou a química, a física que precisariam para cumprir tal responsabilidade. Os encaixes, contornos, sustentação necessária, a forma de trabalhar cada material, tudo orientado pelo próprio Deus.
Imagine a reação daqueles homens produzindo arte, de tal grandeza e beleza nunca vista por eles. A alegria em conseguir lapidar pedras e formar desenhos na madeira, esculpindo cada detalhes em algo que era para o Criador. Uma encomenda especial. Que privilégio! Tal honra pouquíssimos tiveram em toda a história Bíblica.
E à medida que tudo era completado o Espírito do próprio Deus os envolvia dando significado a cada peça, trazendo reverência em seus corações por aquilo que seria usado pelo próprio Deus, para falar ao povo, dando Sua direção, imputando julgamento.
Um sentimento era presente entre eles: ser habilitado pelo próprio Criador do Mundo para uma grande obra que traria Sua presença constante entre o povo. Essa passagem possui uma verdade sobrenatural que preenche o nosso coração de confiança e nos traz esperança: "Quando Deus dá uma missão, Ele mesmo capacita a cumprir"!
Quantas vezes nos sentimos inseguros, incapazes, inabilitados para cumprir nossos papéis nessa vida?! Sentimos medo diante do desafio de ser pai, mãe, empregador, professor, profissional, cidadão. Olhamos para a tarefa e ela parece tão grande perto da nossa habilidade. Um sentimento de fracasso nos toma e permitimos que sejamos assaltados pela incompetência.
Mas Deus está ali!
Ao mesmo tempo que nos chama capacita, forja, anima, dá estratégia, autoridade, descortina o oculto, mostra possibilidades, traz ciência, faz acontecer.
Ele não nos abandona com a responsabilidade, mas dá as ferramentas necessárias para cumpri-la. À medida que vamos avançando, Ele vibra, faz torcida, grita o seu nome, festeja.
Ele sabe das nossas dificuldades e mesmo assim nos convoca pra algo grande, e sussurra a todo tempo: "Você vai dar conta"! "Confio em você para essa tarefa"! "Anima, Eu Sou contigo"! Nosso incentivador não desiste de nós. 
Sua força nos capacita e mesmo sabendo de tudo previamente, se surpreende com a nossa evolução e nos recompensa pela tarefa cumprida.
"Muito bem! Eu sabia que você iria conseguir"!






quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Devocional 27 - O Ofício Sacerdotal

Leitura Bíblica: Êxodo 27 ao 29

"Faze com que se apresente diante de ti Arão, o teu irmão, e os seus filhos, dentre os filhos de Israel, para que Arão, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar, filhos de Arão, sejam meus sacerdotes." (Ex 28:1/BTX)


A palavra sacerdote significa literalmente "aquele que oferece sacrifico".
No princípio, cada homem era seu próprio sacerdote e apresentava seus próprios sacrifícios diante de Deus, como podemos observar em Gn 4:1-7. Posteriormente, esse ofício recaiu sobre o chefe da família, como no caso de Noé (Gn 8:20), Abraão (Gn 12:7;13:4), Isaque (Gn 26:25), Jacó (Gn 31:54) e Jó (Jó 1:5).
O primeiro sacerdote explicitamente mencionado com essa nomenclatura foi Melquisedeque (Gn 14:18), título dado a Sem, o patriarca dos semitas, filho de Noé.
Mas é preciso considerar que nem todos os sacerdotes na narrativa bíblica eram hebreus, bem como, nem todos os indivíduos que aparecem exercendo o sacerdócio serviam no culto ao Deus de Israel. Podemos encontrar sacerdotes egípcios (Gn 41:45; 47:22), midianitas (Ex 2:16), filisteus (1 Sm 6:2) , pois cada povo instituía alguém responsável  lidar com sua divindade em seu povo.
O papel do sacerdote era mediar o homem a Deus, já que o pecado fez tal separação e nem todas famílias estavam preparadas para servir a Deus da maneira correta. Por isso o oficio sacerdotal foi instituído por Deus a família de Arão, por ver a necessidade de separar pessoas para tal incumbência.
Contudo, mesmo depois da instituição oficial do sacerdócio hebreu, a Bíblia menciona pessoas que, em ocasiões específicas, exerceram alguma atividade comum aos sacerdotes, como por exemplo, Gideão (Jz 6:24-26), o profeta Samuel (1 Sm 7:9), o rei Davi (2 Sm 6:13-17) e o profeta Elias (1 Rs 18:23-38). 
Na verdade, Deus precisava falar com o homem. Suas instruções precisavam ser diretas e nessa época o povo estava totalmente disperso pois tinha medo de ouvir e estar na presença de Deus (Ex 20:18-20). Moisés já estava exacerbado por tantas tarefas e Deus então viu em Arão alguém que pudesse cumprir esse papel e o instituiu sacerdote de Israel juntamente com todos os seus filhos e descendentes posteriores como ofício perpétuo.
Tal cargo era de uma responsabilidade gigantesca, por isso, Deus mandou preparar roupas específicas para que usassem em Sua presença pra serem reconhecidos pelo povo como uma família separada por Ele.
Por toda Bíblia vemos como Deus agia através desses escolhidos e quais eram as punições que recebiam quando não cumpriam Seus decretos.
Contudo, todo o sistema sacerdotal judaico era tipológico, uma amostra daquilo que Jesus faria por nós. Todos os sacerdotes prefiguravam o grande Sacerdote que ofereceria “um só sacrifício por todos os pecados” “de uma vez por todas” (Hb 10:10-12).
Hoje não existe a necessidade de um sacerdote que medie entre nós e Deus. Essa função pertence a Cristo (1 Tm 2:3-6) e Nele temos acesso ao Pai de forma direta (1 Pe 2:9; Ap 1:6) e Lhe oferecemos adoração sem a necessidade de um ritual ou da morte de um animal, pois Cristo extinguiu tal prática na cruz do Calvário, como ovelha Ele se sacrificou (Hb 10:12-14) em um sacrifício definitivo por toda humanidade. 
Por isso, ao orarmos dizemos no final "em nome de Jesus" (Jo 14:13-14), pois Ele é o nosso mediador diante do Pai (1 Tm 2:5), o nosso Sumo Sacerdote (Hb 4:14-15), Aquele que intercede por nós (Rm 8:34) e nos perdoa de todo pecado (Lc 5:17-26), a fim de nos achegarmos em Sua presença purificado e apto para ser ouvido por Ele e abençoado por Sua glória.
Para tanto, somos os sacerdotes de Deus nesta Terra e devemos cumprir o nosso ofício, que é aproximar a humanidade do seu Criador e mostrá-los a Sua grandeza.








quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Devocional 26 - O Propósito do Tabernáculo

Leitura Bíblica: Êxodo 24 ao 26

"Olhe e faze segundo o modelo que te foi mostrado no monte". (Ex 25:40/BTX)


Esses capítulos falam de uma ordem.
"Dize aos filhos de Israel que recolham uma oferta para Mim. De todo generoso coração recolhereis uma oferta para Mim." (Ex 25:2/BTX)
Quando saíram do Egito, puderam carregar todos os seus bens. E ainda foram presenteados com ouro, pedras preciosas e tecidos (Ex 12:31-36). Não foi à toa. Deus já havia um propósito determinado para isso no deserto.
Em menos de dois meses Deus já tinha feito o mar se abrir (Ex 14) curado as águas de Mara tornando-a potável (Ex 15:22-27), enviado o maná e codornizes (Ex 161-22), feito a água brotar da rocha (Ex 17:1-7), ganhado uma guerra contra os amalequitas (Ex 17:8-15). 
O povo  viu o poder de Deus e ouviu a Sua voz no Monte Sinai (Ex 19), recebeu as leis (Ex 20) e os códigos morais para convívio em sociedade (Ex 21-22), as instruções para festas e solenidades (Ex 23), e fez um pacto com Deus (Ex 24).
Agora, no capitulo 25, Deus decide provar o povo pedindo uma oferta voluntária a fim de construírem um lugar para Sua habitação no meio deles.
O povo de Israel veio de um país onde havia zigurates aos seus deuses, sacrifícios, liturgias e rituais de culto. Era normal desejarem algo visual, palpável onde pudessem adorar ao seu Deus. Não é que Deus precisasse de um lugar, porque Ele não habita em templos feito por mãos de homens, antes, está em todos os lugares simultaneamente (Jr 29:14; 1 Rs 8:27,30; At 7:49; 17:24), mas Ele queria oferecer uma experiência palpável aquele povo habituado ao natural.
Por isso, especificou a forma do tabernáculo e cada utensílio que o ocuparia a fim de Se materializar ante os olhos incrédulos daquele povo.
Deus foi sensível aquela necessidade humana. Tornando-se pequeno a fim de ser entendido, ocupando espaço a fim de ser sentido. Materializando-se em objetos a fim de ser identificado, para que no futuro, Cristo viesse cumprir toda aquela simbologia tomando para Si o sentido da adoração.
Deus é simplesmente didático, por isso Ele disse: "Olhe Moisés, e faça tudo igual lhe mostrei".



terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Devocional 25 - A Obediência nos protege do mal.

 Leitura Bíblica: Êxodo 21 ao 23

"Servireis a YHWH vosso Elohim, e Ele abençoará o teu pão e tua água, e apartarei a enfermidade do meio de ti. Não haverá na tua terra mulher que aborte, nem estéril, e farei com que o número dos teus dias seja concluído." (Ex 23:25-26/BTX)

Imagine milhares de famílias vivendo no deserto, sem saneamento básico, água encanada, luz elétrica, sistema de saúde, comércio, meio de transporte urbano, casas, escola, cemitério, nada do que estamos acostumados atualmente.
Agora se lembre que eles vieram de uma civilização estável, produtiva, inovadora, repleta de recursos naturais, berço do conhecimento antigo e muito estruturada.
Não era fácil a comparação.
Todos nós somos predispostos a desejar o melhor para nós e para nossa família. Não existe mal nisso e nem é motivo de discussão.
Quando olhamos pro povo de Israel murmurando, reclamando da falta de água, da falta de comida, dos inimigos que queriam roubar seus rebanhos, do sol, da poeira, de estarem cansados de viver em tendas, achamos que eles são chatos, reclamões e mal agradecidos. Mas mudemos os papéis e nos coloquemos em seus lugares, faríamos exatamente igual.
A preocupação dos pais era racional. Não era fácil ver os filhos mal acomodados em tendas, suscetíveis às doenças e temendo o futuro.
Animais, crianças, anciãos, todos ocupando o mesmo espaço sem saberem ao certo pra onde iam e o que aguardavam.
Eles conheciam as promessas de Deus sobre uma nova terra, e até viram o tamanho do poder que tinha esse Deus. Mas eram humanos como nós. Tinham medo, sentiam dor, sede, fome e desesperavam daquela vida tão diferente do deserto.
Foi nesse turbilhão de acontecimentos que Moisés convoca o povo e diz: - "Fiquem calmos, Deus vai cuidar de nós. Se obedecermos aquilo que Ele tem falado, nos recompensará com água, alimento, saúde e vida longa apesar das circunstâncias. Ele abençoará nossos filhos e todos seremos supridos em nossas necessidades. Não morremos aqui, pelo contrário, multiplicaremos e seremos maiores e mais fortes ao chegar na terra prometida".
Era uma boa promessa. Mais que isso, era uma certeza dada pelo próprio Criador. Mas pra que tudo corresse bem, era preciso decretos, leis, mandamentos que regessem aquela multidão onde todos pudessem viver de forma igualitária e justa.
Não existe felicidade sem regra e nem justiça sem ordem.
A lei era preciso para que todos pudessem moldar seu padrão de vida ao convívio comum, sem restrição ou esbanjamento.
Não se pode viver em sociedade sem regras. É impossível manter um povo saudável sem algum tipo de proibição.
Como em toda cultura, somos dotados de ego, desejos e impulsividade que precisam ser freados para não ultrapassar limites e ocupar o espaço do outro.
É isso que esses capítulos nos mostram. Um Deus preocupado com o convívio social. Com a família. Prezando a integridade física e moral de cada indivíduo.
E em contra partida, Ele dizia: - "Se me servires, serão felizes. Nada lhes faltará. A punição é necessária pra quem não entende o direito do outro. Eu não Me satisfaço em leis, mas julgo necessário por conhecê-los".
E Deus estava certo.
Não existe equidade onde não há justiça, e não há justiça onde não há lei.
Ser beneficiado por Suas bênçãos não era questão de merecimento, mas de reconhecimento do Seu senhorio, de confiança na Sua Palavra e na obediência as Suas leis.
Desde o início Ele já provara Seu poder. Com uma só palavra poderia fazer qualquer coisa, mas insistiu em se apresentar nos detalhes, em meio a ordem, num processo de relacionamento.
É isso que Ele deseja de nós. Um coração aberto para entender Seu agir e aceitar a Sua vontade. Sabendo que Ele nunca nos abandona e sempre prepara a provisão, ainda que no deserto.



segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Devocional 24 - Reconheça sua Fragilidade

Leitura Bíblica: Êxodo 17 ao 20

"E vendo o sogro de Moisés tudo o que fazia com para o povo, disse: Que fazes com o povo? Por que te assentas somente tu, e todo o povo vem a ti desde a manhã até a tarde?... Desfalecerás não somente tu, mas este povo que está contigo. O assunto é muito pesado para ti. Não poderás fazê-lo tu somente". (Ex 18:15-16,18/BTX)

Moisés fora chamado por Deus para liderar um povo e libertá-lo do Egito.
No início, ele tentou de tudo para não aceitar. Usou sua popularidade baixa, sua falta de expressão com a língua hebraica, seu medo (Ex 3:11,13;4:1,10,13), mas Deus o fortaleceu colocando Arão ao seu lado e transformando-o em um homem forte e perspicaz.
E após algumas pragas lá estava Moisés, firme, destemido, pronto para enfrentar o Faraó (Ex 12:21-27).
Cada um de nós temos características individuais, traços na personalidade chamados de temperamento. Moisés era melancólico.
Este temperamento é conhecido por procrastinar, ter baixa estima, ser pessimista, crítico e antissocial. Mas a transformação foi assustadora nesse caso. Em pouquíssimo tempo, Moisés já era popular, confiante e determinado. E Arão foi aos poucos deixado de lado, sobrepujado pelas qualidades de Moisés que ganharam vida no deserto.
Com isso, ele acabou acumulando tarefas sobre si. Por ser minucioso, dedicado e muito perfeccionista, traços também característicos desse temperamento, tornou-se indispensável entre o povo que o sobrecarregava com toda espécie de problemas que lhes acometia no deserto.
Imagine seiscentos mil homens, fora mulheres, crianças e anciãos (Ex 12:37-38), num lugar aberto sob todo tipo de infortúnio, cheios de demandas particulares e sociais procurando apenas um único homem para orientação de tudo... 
Como Moisés chegava no fim do dia?! 
Como ele era capaz de dar conta de tanta gente e problema que aparecia?!
Jetro, seu sogro, chega a tempo para aconselhá-lo.
A idade traz essas vantagens: o conhecimento do tamanho da força e da duração da vida, traz ciência de que o tempo não privilegia ninguém. Por isso, ao ver toda aquela gente sobrecarregando seu genro, sugeriu que ele separasse ajudantes para auxiliá-lo na empreitada (Ex 18:21). E assim Moisés fez (Ex 18:24-27).
Às vezes somos tentados a agir como Moisés. Recebemos da parte de Deus uma direção, ficamos inseguros, mas Ele vai nos fortalecendo, capacitando e em pouco tempo uma força nos torna capazes de cumprir qualquer tarefa.
Quem é melancólico consegue entender essa reação. Um temperamento marcado pela insegurança, mas possuidor de habilidades, que basta alguém sussurrar: - Você pode! Confio em você! Você vai conseguir! E pronto. Surge ali um empreendedor nato. A pessoa que levará a frente os projetos com perfeição e persistência.
Mas tem um problema: é desconfiada e dificilmente dividirá a tarefa com alguém.
Exatamente o que Jetro enxergou em Moisés.
Como melancólica, que se identifica com a história de Moisés, aprendo  que Deus tem a forma certa de nos motivar mas também de nos pausar. Ele conhece nossas limitações e sabe o quanto de bagagem suportamos carregar, por isso, envia-nos apoio na hora certa.
Aprender a dividir é algo que todos nós precisamos exercitar. Saber administrar o tempo, a força e não acumular tarefas, é primordial pra todo e qualquer líder ser bem sucedido.
Ninguém é insubstituível. É preciso reconhecer que outros também podem fazer o que fazemos. Da mesma forma que ninguém é desnecessário, pois cada individuo possui habilidade capaz de somar ao outro em produção e qualidade.
Todo líder sofre com duas características exacerbadamente: a autoconfiança e a autodepreciarão. Ambas capazes de destruir ministério, profissão e família.
Reconhecer nossas fragilidades e buscar ajuda é nobre e merece atenção.
A Palavra de Deus nos diz que é Ele quem vence nossas guerras (2 CR 32:8), nos capacita (2 Co 1:21-22) e transforma as impossibilidades (Mt 19:26). Mas também Ele abate os soberbos e humilha todo aquele que não reconhece a Sua soberania (Tg 4:6-17; Pv 29:26).
Descansar Nele e aceitar Sua provisão é o segredo do sucesso em ambos os casos. Saber que Ele tem o controle de tudo, faz toda a diferença em nossa vida e vence por si só todo e qualquer obstáculo.
Que nossa vida seja pautada em Sua vontade, reconhecendo que tudo o que Ele faz é bom, e que ninguém pode impedir o Seu agir. "Agindo Ele, quem impedirá?" (Is 43:13)





domingo, 23 de janeiro de 2022

Devocional 23 - Deus age a noite

Leitura Bíblica: Êxodo 14 ao 16

“...o Senhor... toda aquela noite, fez retirar-se o mar...” (Ex 14:21)

O povo de Israel saiu do Egito e se passaram três dias de viagem. 
Todos estão alegres com a liberdade conquistada e a chance de pisar numa terra tão predita pelos antepassados. O que era tão ilusório agora tão real. Todos caminhando felizes, quando a nuvem muda de direção e os leva para uma praia. Ao redor somente montanhas, a frente o mar e atrás o caminho que leva de volta ao Egito.
Que estranho! Deus nos trouxe a um lugar sem saída?! Será isso mesmo Moisés?! 
Alguma coisa está errada. 
De repente, ouve-se o barulho de um exército se aproximando. Alguém sobe o monte para entender o que estava acontecendo, e vejam só: é o exército de faraó. E agora? Não existe outro caminho. Estamos presos! Seremos mortos!
Moisés! O que está acontecendo? Trouxeste-nos aqui para morrer? 
Entendemos que não há lugar no Egito para um escravo ser sepultado (Ex 14:11), mas precisava de tudo isso para nos matar?
Eles não entenderam o plano de Deus até que a noite chegasse, a coluna de fogo fosse para trás da multidão e o Mar Vermelho se abrisse num caminho direto e seguro até o outro lado do mar.
Já aconteceu isso com você?
Às vezes, passamos por noites em nossa vida tão escuras e longas quanto essa que enfrentou o povo de Israel.
Geralmente, pensamos que o dia nunca mais virá em nossa vida, tamanha demora. Mas uma coisa é certa, enquanto estamos estagnados numa posição, sem poder andar para a direita ou para a esquerda, Deus está trabalhando e movendo os obstáculos a nossa frente. 
É quando estamos sem saída que o Senhor age.
Ele abre o mar a nossa frente e manda que atravessemos. 
A escuridão não nos permite olhar ao redor, e por isso não tememos os muros do impossível que nos cercam. E chegando do outro lado, o dia renasce, o milagre chega e a promessa se torna real em nossa vida. 
Enquanto estamos na escuridão, não temos noção do que Deus está fazendo a nosso favor. Mas basta clarear o dia, que passamos a entender o porquê da noite ter sido tão longa. 
Era preciso tempo para agir. Todo aquele mar precisava ser levantado em muros, e uma estrada seca ser formada para que pudéssemos atravessar com segurança. 
Como é difícil suportar as noites da nossa alma! Mas como é bom amanhecer na Presença de Deus e ver o livramento que Ele nos deu. Poder cantar e dançar do outro lado, ver a derrota daqueles que tramaram contra nós e assistir a punição de todos que se rebelam contra o próprio Deus.
Descanse no Senhor.
"O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem ao amanhecer". (Sl 30:5)



sábado, 22 de janeiro de 2022

Devocional 22 - O Deus na Escuridão

Leitura Bíblica: Êxodo 11 ao 13

“E durante esta noite Eu passarei pela terra do Egito e ferirei todo primogênito na terra do Egito, desde o homem até o animal, e executarei juízos contra todos os deuses do Egito, Eu YHWH”. (Ex 12:12/BTX)

Os antigos egípcios tinham muito medo da noite, e isso perdurou durante séculos porque seu povo cultuava o Sol como deus. Para eles, a estrela era o próprio Rá, o deus-Sol.

Para explicar a origem da noite, a religião egípcia pregava que, todos os dias e sempre no mesmo horário, Rá viajava pelo mundo subterrâneo lutando contra inúmeros demônios. Seu objetivo era levar as almas dos mortos a um lugar seguro, a outra dimensão, vencendo os perigosos que incluía uma serpente demoníaca, e voltar pela manhã trazendo o dia aos egípcios. Era isso que denotava sua vitória.

Segundo o livro funerário egípcio Amduat, que teve cópias encontradas no interior da tumba dos faraós, o submundo era dividido em doze horas e Rá precisava enfrentá-las todos os dias.

Os egípcios temiam tantos os demônios da noite quanto o insucesso de seu deus. Inclusive, em casos de eclipse solar, acreditava-se que a serpente havia engolido Rá, que agora lutava para se libertar, e caso Rá não conseguisse vencer o mal nas doze horas, o dia não renasceria e o Egito morreria amaldiçoado com seu povo.

Essa crença era tão poderosa que era obrigação dos egípcios rezar exatamente na nona hora de escuro, pois era quando Rá precisava de ajuda em seu caminho. Isso equivaleria às três horas da madrugada.

Essa história é muito interessante porque nos dá certo entendimento sobre como os egípcios reagiram às duas últimas pragas (das trevas e da morte dos primogênitos – Ex 10:11-29 e 12:29-33).

Imagine: três dias sem a luz solar, em pleno escuro, o que não passou na cabeça daqueles egípcios?! Provavelmente temeram que Rá houvesse sucumbido no mundo subterrâneo e não mais voltaria para iluminar o Egito, e com isso, tudo seria destruído e eles seriam mortos.

Naqueles três dias de escuridão pensaram que seu maior deus havia morrido. Aquele a quem veneravam não estava mais vivo para protegê-los do mal. Rá, o criador de todos os deuses, o que dominava a terra e pelo qual acreditavam que tudo fora criado, perdeu a batalha; foi engolido pela grande serpente. O que poderia acontecer com o Egito?

Mas imagine a surpresa, quando olharam para Gósen?! Lá o sol aparecia, o dia não faltava para o povo hebreu. Como pode? (Ex 10:22-23) Como Rá beneficiaria somente o povo estrangeiro enquanto eles eram punidos com sua ausência?! Estamos sendo preteridos pelo nosso próprio deus?! Poderiam pensar.

Mas o pior estava por vir. 

Dias depois o golpe final. A morte de todo primogênito egípcio à meia-noite alarmaria o povo de tal forma que entenderiam que o Deus de Israel era mais poderoso que todos os seus deuses juntos. Por isso expulsá-los da terra lhes pareceu muito sensato (Ex 12:33).

A história em si já nos traz diversas lições, e bastante coisa para pensar, mas a principal é que Deus está acima de todo e qualquer tipo de crença humana. Ele não se limita ao tempo, espaço e nem é condicionado a crenças. Ele simplesmente é. Não existem palavras para descrever Seu tamanho e nem delimitar a área de Sua atuação. Ele é o criador de todas as coisas e tudo fora criado por meio da Sua palavra.

Ele faz e desfaz (Sl 33:8-11), quem pode compreender o Seu poder? (Jó 26:14) Com o Seu próprio dedo destrói todos os demônios (Lc 11:20), por Seu poder ressuscitou Cristo e também nos ressuscitará (Lc 11:20). Ele forma a luz e cria as trevas, promove a paz e causa desgraça, Ele faz todas as coisas (Is 45:7), quem pode fugir da Sua presença? (Sl 139:7) Para Deus nada é impossível (Mt 19:26), Ele governa para sempre as nações e com os Seus olhos vigia a terra e nenhum rebelde se levanta contra Ele (Sl 66:7). Agindo Ele,  quem impedirá (Is 43:13).

O Egito se rendeu a Sua grandeza. Conheceu o Seu poder, e não conseguiu suportar.

Israel finalmente está livre, e o próprio Deus está a sua frente dia e noite, conduzindo-os, guardando-os e promovendo milagres.




sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Devocional 21 - Eu posso ver os Seus Sinais

Leitura Bíblica: Êxodo 8 a 10.

"Para que contes aos ouvidos dos teus filhos e dos filhos de teus filhos o que Eu executei no Egito, e os Meus sinais que pus entre eles, para que saibais que Eu sou YHWH." (Ex 10:2/BTX)

O que me fascina na Palavra de Deus é a Sua predição. A maneira com que relata o futuro e avisa a respeito de coisas que ainda estão para acontecer com tantos detalhes...
Deus sabia o que estava pra acontecer ao Egito. O tipo de justiça que seria implantada ali, mas avisou de antemão a Faraó dando-lhe a oportunidade de decidir.
Em cada praga imputada, Deus confrontava um deus preexistente naquele povo, mostrando o Seu poder e subestimando a autoridade daquela divindade diante do Faraó.
Deus agia de forma estratégica mostrando Seu poder e autoridade sobre cada área da natureza e da vida humana naquele tempo.
"E executarei juízos contra todos os deuses do Egito. Eu, YHWH." (Ex 12:12b/BTX)
O Rio Nilo era um dos deuses do panteão Egípcio e se chamava Hápi. Seu leito passava por todo o Egito trazendo fertilidade e provisão àquela terra. No entanto, Deus o fez sangrar, a vida lhe foi tomada e eles ficaram sete dias sem água potável, além de ter sido também uma afronta a alguns peixes que também eram considerados deuses e que acabaram sendo mortos (Ex 7:19-21).
Humilhação da deusa-rã, Heqt, pois ela era o símbolo da fertilidade e da ressurreição no conceito egípcio (Êx 8:5-14).
Com a praga dos piolhos, o deus Tot também foi envergonhado, pois representava à invenção da magia e das artes secretas, cuja praga resultou em os sacerdotes-magos reconhecerem a derrota, quando se viram incapazes de transformar o pó em piolhos com seus feitiços (Êx 8:16-19).
As moscas foram uma rebaixamento do deus Ptah, criador do universo, novamente Tot, senhor da magia também foi desmerecido (Êx 8:23,24).
A praga da peste entre os animais foi a desonra de vários deuses: Seráfis (Ápis) deus sagrado de Mênfis do gado , a deusa-vaca Nut e Hator, a deusa-céu (Êx 9:4 e 7).
Já a praga das pústulas que apareceram nos homens e animais sobreviventes as outras pragas, diminuía a Neite, deusa da caça e da guerra, criadora dos homens (Ex 9:11).
A Chuva de granizo que veio em forma de saraiva (granizo com fogo - relâmpagos que caiam e queimavam), afrontava o poder dos deuses que controlavam os elementos naturais: a deusa da água Íris e o deus do fogo Osíris (Êx 9:13-35).
A praga dos gafanhotos achincalhava os deuses responsáveis pela abundante colheita. O deus do ar Xu e deus-inseto Sebeque (Êx 10:12-15).
A escuridão que ocorreu por três dias consecutivos ridicularizou o grande e maior deus egípcio, Rá, o deus-sol que foi escondido pelas trevas, algo temido pelos egípcios que achavam que toda noite era um período onde Rá viajava pelo mundo subterrâneo lutando contra inúmeros demônios. Seu objetivo era levar as almas dos mortos ao descanso, vencer os perigosos – incluindo uma serpente demoníaca – e voltar pela manhã, para trazer o dia aos egípcios (Êx 10:23). E por fim, a morte de todos os primogênitos que resultou na maior humilhação para o próprio Faraó e os governantes do Egito que chamavam a si mesmos de deuses, filhos de Rá ou Amom-Rá (Êx 12:12). O fato da noite perdurar três dias consecutivos, trouxe aos egípcios a incerteza do poder desse tão grande deus.
Floyd Nolen Jones (um americano que trabalhou 14 anos como um paleontólogo, geofísico) estudou as pragas do Egito cuidadosamente analisando ponto a ponto, e disse ter durado quarenta dias sobre o Egito, tempo suficiente para provocar tamanha tragédia de forma sequencial, sendo que o que sobrevivia de uma praga acabava sendo destruída pela outra.
Tal relato aponta a precisão de cada palavra declarada por Moisés a fim de julgar aquela nação que escravizava o povo judeu.
Mas o sobrenatural de tudo isso, é que Deus guardou o Seu povo fazendo distinção entre sua terra, posses e cidadãos. Os textos de (Ex 8:22; 9:6; 26; 10:23) mostram claramente que Deus não permitiu tais pragas entre os hebreus. Eles foram protegidos por Deus apesar de estarem a pouca distância do Egito.
Tal cuidado acrescentava fé ao povo hebreu, mostrando o amor e a proteção Daquele que se manifestava de várias formas a fim de punir seus opressores. E tudo isso para que pudessem contar sobre as maravilhas do Deus de seus ancestrais aos seus filhos e aos filhos de seus filhos como testemunho vivo do Grande EU SOU.
Foi através dessas pragas que o povo hebreu conheceu o Deus de seus ancestrais, e pôde experimentar o cuidado sobrenatural Daquele que age de forma poderosa guardando Seus escolhidos.
É nesse contexto que estamos inseridos como filhos de Deus.
A Sua Palavra diz que seríamos odiados por causa do Seu Nome. Contudo, não se perderia um único fio de cabelo da nossa cabeça. E seria na nossa perseverança que se confirmaria a salvação que Ele nos dá (Lc 21:17-19).
Nossa obediência a Deus nos protege como escudo (Sl 5:12), pois Ele é a nossa rocha, escudo e libertador (Sl 144:1-2).
Como é bom poder descansar nessas promessas. Saber que apesar de vivermos em um mundo onde somos exposto ao mal, a Mão do Pai nos guarda e é capaz de nos livrar da Sua ira.
Pois ainda que andemos pelo vale da sombra da morte Ele se faz presente e guarda a nossa alma, livrando-nos da morte eterna. Visto que temos a convicção que "aquele que espera em Deus apenas nesta vida é o mais miserável de todos os homens" (1 Co 15:19).
As Escrituras nos garante que a Sua proteção vai além dessa vida, além do que podemos imaginar, pensar, enxergar. Ele tem preparado um futuro certo, uma vida e um lugar onde o mal não entra, a morte não existe e a tristeza não sobrevém.
Essa é a maior afronta aos deuses pagãos. Tudo aquilo que eles prometem oferecer nessa vida e acabam falhando, Deus nos dá aqui, e ainda com mais plenitude na eternidade.
O nosso Deus não falha. Ele é o dono da vida (Sl 19:1; 24:1), tudo pertence a Ele e Sua destra nos susterá (Is 41:10) até a consumação dos séculos (Mt 28:20).





quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Devocional 20 - Os Nomes de Deus

Leitura Bíblica: Êxodo 5 a 7

"Eu sou YHWH, e vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios, e vos livrarei de sua escravidão, e os redimirei com braço estendido e com grandes juízos. Vos tomarei para Mim por povo e serei vosso Elohim; e sabereis que Eu sou o YHWH vosso Elohim, que vos tirou de debaixo das cargas dos egípcios. E vos levarei à terra pela qual alcei a Minha mão que a daria a Abraão, Isaque e Jacó, e voá-la darei em possessão. Eu, YHWH." (Ex 6:6-8/BTX)

O tetragrama YHWH faz menção a apresentação que Deus fez a respeito de Si mesmo a Moisés ao perguntá-lo de que forma ele o apresentaria ao povo de Israel ao dar Sua mensagem: EU SOU O QUE SOU, ou O GRANDE EU SOU, ou ainda, EU ERA, SOU E SEREI aquilo que eles necessitarem que Eu seja.
Cada letra, na verdade, significa uma palavra formando assim um acróstico.
O hebraico antigo, não possui vogais e foi somente no século II d.C que foram acrescentados pelos massoretas a pontuação e as vogais à língua hebraica para facilitar o entendimento. Porém, desde os Dez Mandamentos (Ex 20:7), os judeus levaram a sério não pronunciar o nome de Deus em vão, e pós exílio, tinha um aplacado temor em fazê-lo, o que levou a substituição do Seu nome pela palavra Senhor (adonai) ou Elohim (o nome), por tamanha reverência que possuíam a Deus (um dos motivos do livro de Ester não faz menção do Seu nome).
Portanto, uma prática antiga acabou se tornando útil para fins didáticos, dar nomes a Deus de acordo com uma determinada situação. Por isso, o nome YHWH acabou se unindo as vogais e sendo transliterada para Jeová, unindo-se assim a outros nomes e tornando-se conhecidos como:
Jeová Jirê: “O Senhor proverá” (Gênesis 22:13,14).
Jeová Sabaote: “Senhor dos Exércitos” (Salmos 46:7,11).
Jeová Tsidkenu: “Senhor Justiça nossa” (Jeremias 23:6).
Jeová Nissi: “O Senhor é minha Bandeira” (Êxodo 17:15).
Jeová Rafá: “O Senhor que sara” (Êxodo 15:26).
Jeová Shalom: “O Senhor é paz” (Juízes 6:24).
Jeová Raah: “O Senhor é o meu Pastor” (Salmos 23:1).
Jeová Shamá: “O Senhor está presente” (Ezequiel 48:35).
Jeová Kadesh: “O Senhor que vos santifica” (Êxodo 31:13).
No entanto, Deus não se limitou a uma especificidade ou condicionou o tamanho do Seu poder aos padrões humanos. Ele é e continuará sendo o Deus que age em toda e qualquer situação, o mesmo Deus que se apresentou a Moisés no Monte Horebe como o "EU FUI, SOU E SEREI aquilo que vocês necessitarem que Eu seja". 
Não existe nada que Ele não possa fazer, refazer, transformar, criar, substituir, abater, desfazer, aplainar, apaziguar, configurar, deletar, repaginar, desobstruir, sanar, solucionar, reviver, restaurar, erguer, derrubar, fortalecer, estruturar, endireitar ou convergir para o bem daqueles que o amam e foram chamados de acordo com o Seu propósito. 



quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Devocional 19 - A Grandeza do Deus de Israel

Leitura Biblica: Êxodo 1 a 4

"Disse Moisés a Ha-Elohim: Quando for aos filhos de Israel, e lhes  disser: O Elohim de vossos pais me tem enviado a vós, e me disserem: Qual é o seu nome?  O que lhes direi? Disse Elohim a Moisés: EU SEREI O QUE SEREI. E acrescentou: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SEREI me tem enviado a vós". (Ex 3:13-14/BTX)

Os filhos de Jaco (Israel), ja estavam há 215 anos no Egito, e agora escravizados, clamam a Deus por libertação. Então Deus responde ao clamor deles, falando com Moises em Midiã usando a expressão “Eu sou quem sou” (Êx 3:14) para se apresentar como seu libertador. Em português, isso soa como uma afirmação filosófica sobre a existência de Deus. 

Em hebraico, a passagem usa o verbo ehyeh (uma forma da palavra hayah), normalmente traduzido como “eu sou” ou “eu serei”. Essa tradução é, na verdade, uma tentativa de traduzir o verbo ser, inexistente na lingua hebraico e sem variante de tempo. Por isso poderiamos dizer que a tradução mais acertada seria: "Eu sou, fui e serei".

A palavra Deus na Bíblia nada mais é que uma especificidade de um ser divino, porém, não se trata de nome pessoal. Assim como Israel possuía um Deus, cada povo também o tinha e eram numerosos, pois entendiam que nenhuma divindade possuía poder absoluto, mas se dividia em pequenos deuses capazes de atender uma determinada área da necessidade humana.

Entao, um deus era responsável pela fertilidade, outro deus pela colheita, outro ainda pela vida, e assim por diante.

Israel estava inserido nesse contexto, e alguns já haviam esquecido do grande El-Shadday e necessitavam de uma nova apresentação, de um novo contato com esse Deus único devido ao tempo que permaneceram inseridos e expostos aquela cultura pagã.

Moisés agora enfrenta um dilema, como falarei a este povo que o Deus de seus ancestrais falou comigo? Como acreditariam em um egípcio que fugiu da sua terra por se declarar hebreu? 

Quarenta anos havia passado, e agora, Deus manda Moisés enfrentar seus medos e voltar àquele lugar de tantas lembranças e traumas a fim de libertar um povo oprimido pelo maior império da época.

Como é difícil enfrentar o passado, rever pessoas, ressentir momentos, estar exposto aos confrontos. Moisés estava inseguro e não se sentia capaz de cumprir tal responsabilidade. 

A pergunta que Moisés fez a Deus parece tão sem sentido, no entanto, ele sabia que seria a primeira coisa que aquele povo iria interpelá-lo. - Quem ou qual é o deus que falou com você? O deus da guerra, o deus da vida, o deus da saúde, o deus da fertilidade, o deus da provisão...?! 

Por isso Deus responde a Moisés: - Eu ERA, SOU e SEREI o Deus deste povo. Não estou dividido em padrões, Meu poder não se limita a nenhuma ocasião. EU FUI no passado com Abraão, Isaque e Jacó, SOU tudo o que eles precisam e SEREI aquele que guerreará por eles, livrá-los-ei da mão do inimigo, suprirei suas necessidades, darei vida, saúde, fertilidade, pão e proteção. EU SOU um Deus completo.

Que Deus grande e poderoso é esse, que se revela à medida que o clamamos e se mostra Onipotente, Onipresente e Onisciente. Nada foge do Seu controle e da Sua autoridade. Ele faz e desfaz, cria, destrói, recria e restaura. Nenhum outro há como Ele. 

Foi este o Deus que julgou os pecados do Egito, pesando na balança suas atitudes e agindo com justiça em favor de Israel. 

É esse mesmo Deus que vive e reina para todo sempre e que se dispõe a nos ajudar nesta terra, a todos quanto o Seu nome clamar. 

"Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de Ti que trabalha para aquele que Nele espera". (Is 64:4)





terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Devocional 18 - A Bênção Patriarcal

Leitura Bíblica: Gênesis 48 a 50

"E chamou Jacó a seus filhos, e disse: Reuni-vos, e vos anunciarei o que vos acontecerá nos dias posteriores". (Gn 49:1/BTX)

Embora a terra da promessa fosse habitada pelos cananeus e sua família estivesse bem acomodada no Egito, Jacó não tem dúvida quanto a volta da sua descendência para a terra que Deus havia prometido ao seu avô Abraão, ao seu pai Isaque, e a ele próprio, e abençoa a cada filho a partir dessa percepção e da revelação que Deus lhe dava naquele momento.
Cada bênção proferida tinha um propósito específico para cada tribo representada que se formaria a partir daquele filho, e de eventos que os marcaria posteriormente.
Claramente podemos perceber que a bênção da dupla honra veio a José, dando aos seus dois filhos, Efraim e Manassés, o direito de serem chamados de tribo, separadamente. Cada um recebeu herança de terras, e da forma que foi prevista por Jacó, Efraim se sobressaiu, em terras, liderança e promessa.
A tribo de Manassés marchou debaixo do estandarte de Efraim no deserto (Números 2:18-24).
Josué, líder do povo de Israel depois de Moisés, veio da tribo de Efraim, e depois da divisão do reino de Israel nos tempos de Jeroboão, a tribo de Efraim (como predito em Gn 48:19) tornou-se tão predominante no reino do norte, que seu nome foi identificado reino do norte, Israel (Isaías 7:2; Oséias 4:17; 13:1).
Já Ruben, por ter fornicado com a concubina  do seu pai (Gn 35:22), foi rebaixado, recebendo uma bênção comum. Apesar de ser a primeira tribo a ter posse de terras, não possuiu nenhum personagem importante registrado na Bíblia e acabou perdendo suas terras futuramente para invasores.
Simeão e Levi, também foram desfavorecidos devido ao massacre em Siquém (Gn 34:6-7). Em razão disso, eles seriam dispersos em Israel. Tempos depois, as terras de Simeão foram distribuídas no extenso território da tribo de Judá (Js 19.1-9), e as de Levi, em cidades por toda a terra (Js 21), não possuindo território demarcado como herança.
Judá, por sua atitude altruísta com Benjamim (Gn 44:16-34) acabou sendo escolhido por Deus para um propósito especial, a benção da realeza, aquele que trouxe a Davi, Ezequias, Uzias, e Jesus, o nosso Rei e Salvador.
Os demais tiveram uma benção comum.
Nesse texto vemos o quão importante era a benção do pai e o peso de tais palavras para o futuro daquela descendência.
O mandamento posterior que falava sobre honrar os pais para que os dias fossem prósperos na terra (Ex 20:12 ), tem a ver diretamente com a benção proferida pelo pai em seus dias finais. Ser abençoado era o certificado de uma vida feliz nesta Terra, a garantia de uma herança incontestável.
Da mesma forma, desonrá-los poderia lhes custar tudo nessa vida, até mesmo a descendência (Dt 28:15-68).
No entanto, o que vemos nessa geração é uma degradação moral e espiritual tão grande que conseguimos entender o motivo de tantas famílias serem riscadas da Terra, esquecidas pela história e desprezada pelas pessoas.
São filhos promíscuos, rebeldes, desatentos a Deus e aos seus pais, desobedientes, caluniadores, corruptos, marginalizados desse mundo submerso no pecado. Não percebem a beleza da submissão e a proteção que a obediência nos dá.
São atropelados por sua má conduta e submetidos a toda maldade que há em seus corações, não honrando nenhum tipo de autoridade e se deixando guiar pelos próprios caminhos.
Por esta geração nos prostramos diante de Deus e clamamos: Misericórdia! Humildemente reconhecendo que erramos e somos responsáveis por parte dessa realidade atual, por não entender a responsabilidade que temos como progenitores de vidas, futuro e gerações.
Como pais, não aceitamos que ninguém corrija nossa prole e de nossas bocas nunca sai exortação. Eles crescem achando que sabem mais que nós e vilipendiam a família com seu mau caráter deformado.
Que Deus nos conceda estratégias espirituais para combater o mal e realinhar este mundo a vontade benéfica do Pai. 
Que Ele nos dê graça para usar nossa autoridade sem temor, sabendo que de todo ato nesta terra prestaremos conta diante Dele, quanto mais Ele requererá de nossas mãos a herança que Ele nos confiou como filhos (Sl 127:3-5).
Que nossos filhos e netos, experimentem a bênção do Senhor e sejam prósperos nesta terra.




segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Devocional 17 - Mantenha a Distância

 Leitura Biblica: Gênesis 46 a 47

"E José disse aos seus irmãos: Subirei para informar a Faraó e dizer-lhe: Meus irmãos e a casa de meu pai, que estavam na terra de Canaã, têm vindo a mim. São pastores que cuidam do gado, e trouxeram os seus rebanhos, suas vacadas e todas as suas possessões. Quando Faraó vos chamar e disser: Qual é o vosso ofício? Vós respondereis: Os teus servos são pastores desde sua juventude até agora, tanto nós como os nossos pais. Assim podereis viver na terra de Gósen, porque todo pastor de ovelhas é abominação para os egípcios". (Gn 46:31-34/BTX)

Apesar da autoridade que José tinha no Egito e de poder ter escolhido colocar sua família em qualquer lugar, não foi à toa que ele instruiu seus irmãos a dizer a Faraó que eram pastores, pois queriam uma habitação no campo, fora da cidade do Egito.
José trouxe cinco dos seus irmãos para uma reunião com o Faraó. Provavelmente, o restante ficou cuidando do rebanho. Estes cinco deveriam comunicar três coisas a Faraó:
* Eles eram pastores, o que segundo Gênesis 46:34, era sem dúvida uma confissão difícil de fazer.
* Eles eram apenas peregrinos e não tinham intenção de serem naturalizados como egípcios. José entendia a importância de Israel permanecer separado aquele povo.
* E que eles desejavam habitar em Gósen (uma área fértil que ligava o Nilo ao lago Tinsa, isolada da vida social dos egípcios nativos). Assim, os israelitas poderiam se estabelecer ali mantendo sua identidade como povo da aliança sem correr o risco de ser corrompido pelo paganismo egípcio através da hegemonia social.
Esse plano fora traçado por José a fim de poupá-los de algum tipo de humilhação por parte dos egípcios, mas também para que eles não vivessem naquele meio pagão, aderindo suas práticas e podendo profanar suas leis e costumes como povo da aliança (1 Pe 2:9; Jo 15:19).
Os egípcios eram segregadores por natureza (Gn 43:32; 46:34c), por isso foi fácil Faraó aceitar o pedido dos irmãos de José.
Ali, estabelecidos, cresceram como família mantendo sua língua, costumes e fé, apesar de mais adiante notarmos que mesmo assim foram culturalmente influenciados pelos egípcios.
José foi cuidadoso, estratégico e divinamente orientado a tomar precauções a fim de separar sua família dos egípcios. Com tantos anos de residência naquele país, possuindo um alto cargo e sendo um cidadão naturalizado egípcio, continuava sendo hebreu em sua conduta, e não queria que essa realidade fosse diferente com seus irmãos e descendência.
Saiba que ainda que os propósitos de Deus se desdobrem de forma lenta, eles nunca deixam de ser executados.
Quantas vezes o povo de Deus, em meio as provações, se esqueceu que faziam parte de um plano muito maior?!
Mas José sabia, que com o avançar de dias de seu pai, a família poderia ficar meio separada, e prevendo sua morte, fez questão de preparar um lugar onde pudessem crescer de forma promissora sem a intromissão de Faraó, pois entendia que ali não era o lugar deles e um dia voltariam para Canaã, ainda que não pudesse prevê a forma e nem quando.
Em tudo vemos o cuidado de Deus no cumprimento de Seus propósitos.
Deus envia José ao Egito; ele se torna governador; salva aquela nação e sua família de uma fome devastadora; prepara um lugar seguro para que a família se torne uma nação e ainda age de forma sobrenatural para que essa simples história se tornasse o maior plano de redenção do Antigo Testamente, simbolizando a Redenção de Cristo à humanidade.
Em nossa vida não é diferente.
Deus trabalha nos detalhes, nos infortúnios, nos contratempos, separando-nos como Seu povo e nos honra diante dos nossos inimigos.
Nada acontece sem a orientação Dele.
Tudo está debaixo da Sua vontade e comando. Não fique triste com o lugar que ocupa na sociedade, esse lugar não é definitivo, apenas um trampolim para tudo o que ainda você viverá em Cristo.



domingo, 16 de janeiro de 2022

Devocional 16 - Entendendo o Propósito da Dor

 Leitura Bíblica: Gênesis 43 a 45

"E colocai a taça de prata na boca do saco do mais novo, com a prata de seu grão. E se fez conforme a palavra de José". (Gn 44:2/BTX)


A trama deu certo. Tão logo os grãos acabaram Jacó precisou enviar seus filhos ao Egito para voltar a comprar cereais para enfrentar a fome. Dessa vez, levando com eles Benjamim, como como lhes fora ordenado.
Pelas recomendações de Jacó, imagino o peso da cobrança que cada um deles levava consigo além das bagagens. A insegurança do que estava por vir, o medo de Simeão não estar mais vivo. A incerteza de que voltariam para Canaã os onze novamente.
Imagino o pânico no olhar de cada um ao serem encaminhados a casa do governador. Era costume antigo encarcerar as pessoas em calabouços subterrâneos feitos na fundação das casas ou em torres do próprio prédio onde moravam as autoridades egípcias. No Egito, as prisões ficavam no mesmo prédio de seus senhores, visto ser mais fácil manter a segurança. Gênesis 40:3 registra que a prisão era na própria casa do capitão da guarda, Potifar (Gn 39:1).
Imagino que durante todo o tempo em que Simeão esteve preso no Egito, José o visitasse secretamente e lhe dava boa alimentação e cuidado.
Agora, seus irmãos chegam de viagem e são encaminhados para a casa do governador. Algo estranho! Ali, somente duas classes de pessoas poderiam entrar, aqueles que se assentavam à mesa com o governador e aqueles que seriam julgados e presos por ele.
A segunda opção lhes parecia mais plausível, visto que a prata tinha retornado com eles a Canaã ao invés de ter ficado como pagamento. Mas a verdade é que todas as vezes que nossa consciência nos acusa de algo, ficamos com medo da punição, e eles temiam que aquele governador tivesse investigado suas vidas e descoberto algo que lhes incriminasse, visto que eles se culpavam pelo acontecido com José.
Chegando ali, ao invés de serem julgados foram honrados com um banquete. Simeão entra pela porta e eles se alegram. E de cara percebem que os lugares estavam marcados cronologicamente certo, cada um em seu lugar de primazia, do primogênito ao caçula.
O banquete é servido e o prato de Benjamim vem muito mais variado que a dos irmãos, que perceberam que havia algo estranho, mas a alegria de estarem com Simeão novamente e a certeza de que o cereal anterior havia sido pago, deixou uma sensação de alívio no ar.
De repente, o governador chega, faz perguntas, é respondido, e os libera para voltar para Canaã. Acabou! Pensaram.
Na estrada, retornando para casa, a pouca distância do Egito escutam um grito: - Parem!
- São os soldados de Faraó, o que desejam agora?!
O soldado dá a notícia: - Alguém aqui roubou a taça de prata do governador, justamente aquela que ele faz adivinhações.
- Pronto! Pensaram... O homem além de poderoso é adivinho.
- Não pegamos nada, jamais faríamos tal coisa. Podem vasculhar e se por acaso encontrar com alguém aqui podem matá-lo e nos levar como escravos.
Eles procuram a taça em cada saco de cereais, e aonde encontram?! Justamente na de Benjamim. É um roteiro de filme hollywoodiano. Justamente o que temiam aconteceu.
Pernas tremem, o medo toma conta, as palavras de Jacó voltam em suas cabeças.
- Não senhor! Meu irmão não fez isso, só pode ser um mal-entendido. Por favor, levem-me em seu lugar. Disse Judá.
Aos prantos retornam ao Egito para suplicarem clemência.
Judá é convincente. Seu desespero e seu notório cuidado com Benjamim vem à tona, e José se dá por satisfeito.
- Realmente meus irmãos aprenderam a lição! Pensou.
Então aos prantos se revela aos irmãos, abraça cada um e chora com eles por entender que os propósitos de Deus são surpreendentes.
- Irmãos, não fiquem tristes e nem se culpem pelo erro passado. Foi Deus quem permitiu tudo isso para que nenhum de nós morrêssemos de fome. Pois o próprio Deus me revelou que haverá sete anos de fome sobre a terra e mal se passaram dois. Foi Ele quem me trouxe para cá a fim de que tudo isso fosse realidade hoje. Nós somos parte de um plano cuidadosamente traçado por Deus. Ele reverte o mal em bem e cumprirá Suas promessas com Abraão, nosso bisavô.
José entendeu o propósito divino apesar de todo sofrimento do passado (Rm 8:28; 1 Ts 5:18). Perdoou seus irmãos e os trouxe para viver com ele no Egito.
Muitas lições podemos aprender com essa história. Mas acima de todas está a certeza de que Deus é soberano e que sabe o que faz.
Confiemos Nele!