Leitura Bíblica: Êxodo 11 ao 13
“E durante esta noite Eu passarei pela terra do Egito e ferirei todo primogênito na terra do Egito, desde o homem até o animal, e executarei juízos contra todos os deuses do Egito, Eu YHWH”. (Ex 12:12/BTX)
Os antigos egípcios tinham muito medo da noite, e
isso perdurou durante séculos porque seu povo cultuava o Sol como deus. Para eles, a estrela era o próprio Rá, o deus-Sol.
Para explicar a origem da noite, a religião egípcia
pregava que, todos os dias e sempre no mesmo horário, Rá viajava pelo mundo
subterrâneo lutando contra inúmeros demônios. Seu objetivo era levar as almas
dos mortos a um lugar seguro, a outra dimensão, vencendo os perigosos que incluía uma serpente demoníaca, e voltar pela manhã trazendo o dia aos egípcios. Era isso que denotava sua vitória.
Segundo o livro funerário egípcio Amduat, que teve
cópias encontradas no interior da tumba dos faraós, o submundo era dividido em doze horas e Rá precisava enfrentá-las todos os dias.
Os egípcios temiam tantos os demônios da noite
quanto o insucesso de seu deus. Inclusive, em casos de eclipse solar,
acreditava-se que a serpente havia engolido Rá, que agora lutava para se
libertar, e caso Rá não conseguisse vencer o mal nas doze horas, o dia não
renasceria e o Egito morreria amaldiçoado com seu povo.
Essa crença era tão poderosa que era obrigação dos
egípcios rezar exatamente na nona hora de escuro, pois era quando Rá precisava
de ajuda em seu caminho. Isso equivaleria às três horas da madrugada.
Essa história é muito interessante porque nos dá
certo entendimento sobre como os egípcios reagiram às duas últimas pragas (das
trevas e da morte dos primogênitos – Ex 10:11-29 e 12:29-33).
Imagine: três dias sem a luz solar, em pleno
escuro, o que não passou na cabeça daqueles egípcios?! Provavelmente temeram
que Rá houvesse sucumbido no mundo subterrâneo e não mais voltaria para
iluminar o Egito, e com isso, tudo seria destruído e eles seriam mortos.
Naqueles três dias de escuridão pensaram que seu maior deus havia morrido. Aquele a quem veneravam não estava mais vivo para protegê-los do mal. Rá, o criador de todos os deuses, o que dominava a terra e pelo qual acreditavam que tudo fora criado, perdeu a batalha; foi engolido pela grande serpente. O que poderia acontecer com o Egito?
Mas imagine a surpresa, quando olharam para Gósen?! Lá o sol aparecia, o dia não
faltava para o povo hebreu. Como pode? (Ex 10:22-23) Como Rá
beneficiaria somente o povo estrangeiro enquanto eles eram punidos com sua
ausência?! Estamos sendo preteridos pelo nosso próprio deus?! Poderiam pensar.
Mas o pior estava por vir.
Dias depois o golpe final. A morte de todo
primogênito egípcio à meia-noite alarmaria o povo de tal forma que entenderiam
que o Deus de Israel era mais poderoso que todos os seus deuses juntos. Por isso
expulsá-los da terra lhes pareceu muito sensato (Ex 12:33).
A história em si já nos traz diversas lições, e bastante coisa para pensar, mas a principal é que Deus está acima de todo e qualquer tipo de crença
humana. Ele não se limita ao tempo, espaço e nem é condicionado a crenças. Ele simplesmente é. Não existem palavras para descrever Seu tamanho e
nem delimitar a área de Sua atuação. Ele é o criador de todas as coisas e tudo
fora criado por meio da Sua palavra.
Ele faz e desfaz (Sl 33:8-11), quem pode compreender o Seu poder? (Jó 26:14) Com o Seu próprio dedo destrói todos os demônios (Lc 11:20), por Seu poder ressuscitou Cristo e também nos ressuscitará (Lc 11:20). Ele forma a luz e cria as trevas, promove a paz e causa desgraça, Ele faz todas as coisas (Is 45:7), quem pode fugir da Sua presença? (Sl 139:7) Para Deus nada é impossível (Mt 19:26), Ele governa para sempre as nações e com os Seus olhos vigia a terra e nenhum rebelde se levanta contra Ele (Sl 66:7). Agindo Ele, quem impedirá (Is 43:13).
O Egito se rendeu a Sua grandeza. Conheceu o Seu poder, e não conseguiu suportar.
Israel finalmente está livre, e o próprio Deus está a sua frente dia e noite, conduzindo-os, guardando-os e promovendo milagres.
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