Leitura Bíblica: Jonas 1 ao 4.
"Entretanto, os homens remaram duramente na tentativa de fazer o barco voltar a terra, mas não conseguiram porque o mar se embravecia mais e mais. Então clamaram a YHWH, e disseram: Oh YHWH, te rogamos, não nos faças perecer pela vida deste homem, nem nos imputes sangue inocente, porque tu, ó YHWH, tens feito do modo que te agrada! E suspendendo a Jonas, lançaram-no ao mar, e o mar acalmou sua fúria. E aqueles homens temeram a YHWH com grande temor, e ofereceram sacrifício a YHWH, e fizeram votos". (Jn 1:13-16/BTX)
A história de Jonas é repleta de curiosidades.
A tradição judaica diz que ele é filho da viúva de Serepta, aquele que o profeta Elias orou para que ressuscitasse (1 Rs 17:8-24).
Jonas cresceu vendo as atrocidades que o povo assírio praticava. A forma como eram maus com os povos ao redor, inclusive com o seu próprio povo.
Nínive era a capital da Assíria, onde a fortificação era ímpar e o tamanho populacional causava temor. A Bíblia diz que somente crianças existiam 120.000 (Jn 4:11).
Jonas era um rapaz temente a Deus e profetizava em Israel no tempo do rei Jeroboão II (2 Rs 14:25), que apesar de viverem um tempo expancional, temiam a Assíria pelo o que fazia com o os povos ao redor.
Os assírios tinham uma fama terrível. Muitos historiadores e arqueólogos defendem que os assírios formaram o primeiro exército organizado do mundo, dispondo de arqueiros, carros de batalha e infantaria, munidos de espadas e lanças.
Tal forma de organização garantiu aos assírios uma expansão rápida e avassaladora pelo mundo, caracterizada pelas inúmeras formas de atrocidades que cometiam contra os povos que subjugavam. Aqueles que eles derrotavam, sofriam métodos de tortura cruéis, como a mutilação dos órgãos genitais, do nariz, olhos e orelhas.
O empalamento (introdução de uma estaca de madeira no ânus ou no abdômen) era uma das práticas mais frequentes utilizadas para matar os soldados rivais capturados. A decapitação dos inimigos e a exibição ostensiva das cabeças empilhadas, eram uma de suas táticas de guerra para perpetuar medo em seus rivais (2 Rs 10:8)
Para evitar revolta e insurreição daqueles que conquistavam, deportavam a população de sua região originária, levando-os como escravos para outras partes do império. Essa estratégia desagregava as culturas locais, retirava-lhes a unidade e os impedia de se reorganizarem.
Tudo isso fazia dos assírios um povo temido e odiado pelos povos (2 Rs 17:6)
Não foi à toa que Jonas tentou fugir da sua responsabilidade viajando cerca de 4000 Km de distância pelo mar. Ele não queria dar àquele povo uma oportunidade de salvação (Jn 4:1-2), pois os julgava indignos de perdão e não desejava pisar num ambiente tão hostil.
No entanto, a fuga de Deus é impossível. E Ele que é o dono do tempo, do espaço e da vida, trouxe de volta à sanidade aquele que ousava questionar os Seus planos de redenção.
O que nos chama atenção nessa história, não é a rapidez que o povo se convenceu do seu mal, bastando apenas uma pregação de Jonas para se arrependerem; nem a forma arrogante que Jonas mostrou ao se preparar para assistir a destruição da cidade do alto; mas a atitude dos marinheiros e a conversão que aconteceu ainda em alto-mar sem que Jonas proferisse uma palavra a favor do seu Deus.
A situação era séria. O mar estava revolto, e não havia histórico de tragédias naquele trajeto. Algo estava errado, e eles identificaram logo: alguém aqui desobedeceu ao seu deus.
Perceba que enquanto os marinheiros estão aflitos tentando achar o culpado e impedir que o barco afundasse, Jonas apenas dorme, profundamente. Atitude comum de quem está fugindo da responsabilidade, da consciência ou das consequências da vida.
Ele foi para o porão do barco e dormiu.
Mas foi encontrado, confrontado e logo admitiu ser o culpado.
Deu o prognóstico e a solução, que não foi aceita de imediato por aqueles, que ali, eram os ímpios (Jn 1:11-16).
Porém, depois de tentarem de tudo em vão, resolveram fazer o que Jonas havia falado, mas não antes de orar a Deus, de lhe fazerem votos de servos e oferecer sacrifício.
Quem aqui passando por uma tragédia lembra de fazer isso?
O barco afundando, trovões ensurdecedores, a água batendo no corpo derrubando no chão, e eles tentando oferecer a Deus um clamor que lhe fosse aprazível.
Antes mesmo de Jonas cumprir seu chamado, levou salvação a quem menos imaginava.
Deus usa situações estranhas para resgatar os improváveis.
Num lugar onde nada acontecia o extraordinário chega. Deus se apresenta e os convida a uma nova vida, mostrando-lhes quem era o Deus verdadeiro.
Quem sabe, nessa tempestade que você se encontra, não existam "marinheiros" que receberão a oportunidade de se salvarem?!
Deus é quem sabe onde você precisa ir para que Ele chegue com intervenção.
Mas o que importa, é que existem percursos necessários para a salvação, e precisamos estar atentos a eles.

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