Leitura Bíblica: Gênesis 36 e 37
"E estes são os descendentes de Esaú, pai dos idumeus (edomita), no monte de Seir." (Gn 36:9/BTX)
Todos os seres humanos são influenciáveis, seja para o bem, seja para o mal.
O modo de criação familiar, a cultura imposta, a arte, a música, a educação secular moldam o caráter humano formando conceitos de vida e forjando ideologias no interior de cada indivíduo.
Apesar de duas crianças serem criadas pelos mesmos pais, serem expostas a mesma educação, linguajar, padrão moral e cultural, a forma com que cada criança assimila a informação é diferente, e isso será notado através de suas atitudes e conceitos individuais durante sua vida. A experiência pessoal introduzirá em ambas um tipo de conhecimento particular. Não existe duas pessoas idênticas, nem mesmo os gêmeos univitelinos, pois as características individuais são exclusivas, seja física e emocionalmente.
A Bíblia sempre foi clara ao mostrar um padrão de comportamento numa família. No entanto, sempre houve e haverá exceções.
Na leitura de hoje é notória a diferença entre Esaú, Jacó e suas linhagens.
De Esaú vieram, entre outros, os povos idumeus (ou edomitas) e amalequitas (Gn 36:9,12). Ambos, apesar de parentes de Israel (Jacó), tornaram-se inimigos dele, e sempre pelejaram em busca de terras e poder. Talvez, Esaú nunca tenha esquecido que Jacó lhe roubou a primogenitura, apesar de um aparente perdão, seu rancor ultrapassa gerações e chega em seus descendentes que buscam pelo direito perdido através da vingança.
No entanto, apesar disso, podemos ver que a linhagem de Jacó, mesmo sendo escolhida e abençoada por Deus, sempre se rebelava contra Ele tomando seus próprios caminhos.
Jó viera da linhagem de Esaú e foi um dos príncipes dessa linhagem. Talvez você nunca ouvira falar sobre isso.
A origem edomita de Jó emerge quase certamente do contexto geográfico na narrativa da sua vida. Jó viveu na terra de Uz, que era parte da nação de Edom conforme Lamentações 4:21. Uz era um dos filhos de Disã, que foi um dos chefes originais de Seir, a terra que Esaú conquistou, cuja nação fundiu seu clã (Gn 36: 28-30). Assim, podemos estar bastante seguros de que Jó era um edomita.
Na primeira tradução grega da Biblia hebraica, chamada Septuaginta, no final do livro de Jó há um parágrafo adicional que identifica Jó como Jobabe citado em Gênesis 36:33-35, o segundo rei de Edom. Esse parágrafo adicional afirma o seguinte (usando a tradução de Edouard Dhorme em seu livro Commentary on the Book of Job, traduzido para o inglês por Harold Knight e publicado por Thomas Nelson em 1984):
Depreende-se do livro siríaco (versão aramaica de Jó) que ele (Jó) viveu na terra de Uz, nos confins de ldumea [Edom] e da Arábia. Anteriormente, seu nome era Jobabe. Depois de tomar uma mulher árabe por esposa, esta deu à luz um filho cujo nome era Ennon. Seu pai era Zera, descendente de Esaú, e sua mãe era Bosorras, de modo que ele era o quinto desde Abraão. . . (segue a lista dos antigos reis de Edom, conforme Gênesis 36: 31-35.) E estes são os reis que reinaram em Edom, um país que ele [Jobabe] também governou
Claramente Jó foi uma exceção em sua família. Ele amava e servia ao Deus dos seus ancestrais Abraão e Isaque com toda força e racionalidade.
No entanto, o contrário também vemos na linhagem de Jacó. A começar de seus filhos, Levi e Simeão que massacraram a cidade de Siquém por vingança, Judá que foi capaz de vender seu próprio irmão enganando seu pai numa simulação tosca de morte e Rubem, que se deitou com Bila, uma das concubinas de seu pai.
E por toda Bíblia existe registros de sacerdotes, reis, juízes e profetas de Israel que pecaram contra o Criador fazendo com que o povo de Israel apostatasse de sua fé.
Por todo Antigo Testamento veremos a rivalidade de ambas descendências (Jacó e Esaú), e encontraremos homens bons e maus nos dois lados.
Jetro, o sogro de Moisés também era um edumeu (Gn 36:10) da linhagem de Reuel, por isso algumas versões o chamam pelo nome do patriarca. Ele era um homem bom, de princípios e alguns biblistas dizem que ele sempre serviu a Deus apesar de não conhecê-Lo, ou de ter tido uma experiência pessoal com Ele antes da ocasião no deserto (Ex 18:1-12) quando claramente o declarou.
O que podemos aprender com esse breve relato é que apesar de sermos influenciados pela nossa ancestralidade e de reproduzirmos àquilo que fomos expostos durante a vida, não determina nossa vida, não traça nosso destino, não define um padrão em nossa linhagem.
Deus nos deu liberdade para escolher nossos próprios caminhos, e são as nossas atitudes que determinarão quem seremos. Não é um nome, uma família, a cultura que estamos inseridos, aquilo que ouvimos ou que somos expostos durante nossa passagem aqui.
Deus pode fazer de qualquer pessoa um padrão da Sua grandeza nessa terra.
Pode espelhar Sua glória em qualquer pessoa que desejar servi-Lo, e é capaz de mudar toda geração daquele que se achegar a Ele com inteireza de coração.
Jó não se sentiu obrigado a dar continuidade ao seu ancestral Esaú, assim como Jetro. Eles mudaram a perspectiva das suas vidas e permitiram que Deus reescrevesse suas histórias.
Seus nomes e histórias exemplares estão na Bíblia para mostrar que Deus dá novas oportunidades. Ele pode entrar na sua história, na sua família e quebrar padrões errados, interromper cadeias de pensamentos, romper a falsa moralidade e torná-lo simplesmente parecido com Jesus.
Creia nisso! Você não está fadado a continuar uma história de tragédia e infelicidade. Deus pode fazer tudo novo através da sua vida.
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