terça-feira, 22 de março de 2022

Devocional 81 - Os Caminhos do homem e a Graça de Deus

 Leitura Bíblica: Juízes 20 e 21.

"Naqueles dias não havia rei em Israel. Cada um fazia o que bem lhe parecia." (Jz 21:25/BTX)


O livro de Juízes termina com uma história passional horrível que culminou numa guerra e no quase extermínio da tribo de Benjamim.
O que me encanta na Bíblia, é que ela não oculta nenhuma história, pior que seja. Ela registra e aponta cada detalhe trazendo uma reflexão ao leitor.
Pra começar, preciso dizer que a Bíblia não registra apenas aquilo que ela corrobora como verdade, ou princípio moral, mas também descortina o homem diante dos nossos olhos para revelar sua essência pecaminosa e destrutiva sem a presença de Deus.
Em todo o livro de Juízes, um versículo se repete por diversas vezes: "Naqueles dias não havia rei em Israel. Cada um fazia o que bem lhe parecia". Essa repetição nos revela que qualquer homem sem liderança,  lei, ou que não tenha qualquer autoridade sobre ele, é capaz de ocupar um grau de malignidade e poder destrutivo inarrável.
Não há como subestimar um homem que se sinta livre para fazer o que tem vontade, pois a vontade humana nunca é boa, nem perfeita e nem agradável com todos. Ela só busca mérito próprio e benefício individual, ainda que o coletivo seja afetado ou destruído.
Já li a história do "levita e sua concubina" diversas vezes, e admito não entender tamanha estupidez de atitude e nem por que Deus permitiu tal massacre em Israel.
Um estupro coletivo cometido por alguns benjamitas leva um homem separado por Deus a agir deliberamente como ímpio, possuído pelo próprio Diabo. 
Como alguém temente a Deus pode esquartejar sua mulher depois de tê-la entregue a morte e reivindicar juízo, se ele mesmo era culpado por seu sangue?
Por que Deus permitiu que os benjamitas matassem tantos soldados israelitas se eles é quem deveriam ser punidos por não entregar tais criminosos à punição?
De quem foi a culpa?
Por que Deus não puniu somente os malfeitores?
São perguntas das quais não encontro resposta, mas entendo como permissão Divina por desejarem agir como se não houvesse Lei.
A concubina adultera contra o levita, e este que era o guardião da Lei de Deus não a pune como a Lei ordenava (Lv 20:10). Fugindo para casa de seu pai permanece ali por quatro meses até que o levita decida buscá-la. Ao tomá-la de volta, começa a tratá-la como serva e a entrega a homens que o desejam para sodomizá-lo. Permite que ela seja abusada por um bando de homens violentos durante toda noite, e ao amanhecer, sua preocupação era que ela se erguesse para seguir viagem, como se nada tivesse acontecido, até que percebeu sua morte.
Como se não bastasse, carrega-a em seu burro até sua casa e chegando lá a esquarteja em doze pedaços enviando como lembrete às doze tribos de Israel, como se quisesse mostrar sua vingança enrustida.
No processo, cria uma guerra entre as tribos, pois todo o Israel se comove com a história da concubina e busca os criminosos de Benjamim, que se recusa entregar os malfeitores convocando-os para uma guerra injusta.
Mas apesar de 400.000 homens se juntarem contra 26.000 benjamitas, não permitisse contavam que deus permitiria que a tribo vilã destruísse 40.000 soldados israelitas em dois dias de batalha.
A história continua sanguinária. E por fim, a tribo de benjamim fica apenas com 600 homens  escondidos numa caverna. Sem mulheres, filhos, animais e residência. Um massacre abominável, que quase os extermina por completo.
E tudo isso pra nos mostrar que Deus permite ao homem a destruição por suas próprias mãos devido ao seu pecado e iniquidade, como paga por terem se afastado Dele e esquecido do Seu governo.
Deus não precisa punir o homem pelo seu pecado, ele mesmo se incumbe de se destruir.
O desejo de poder, a busca pela liberdade promíscua e a sede de vingança são capazes de exterminar a humanidade.
Mas graças a Deus Ele intervém todas as vezes e nos resgata de nós mesmos.
Sua misericórdia é infinita e sempre separa um remanescente dando a oportunidade de recomeçar.
Apesar de não termos todas as respostas e não compreendermos Seus caminhos, escolhemos Sua graça e aceitamos as novas oportunidades oferecidas a cada manhã.
Que nossa escolha seja menos o caminho dos homens e mais a graça de Deus para nossa vida.




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