Leitura Bíblica: Levíticos 1 ao 4
"Dessa maneira o sacerdote oferecerá expiação pelo pecado daquele, e será liberado" (Lv 4:26c/BTX)
O livro de levíticos foi escrito para registrar as leis de Deus para o povo israelita, tendo em vista que eles passaram cerca de quatrocentos anos como nômades, de um lugar para o outro, desde o chamado de Abraão até a saída do povo do Egito (Gn 15:13; Ex 12:40; At 7:6). É um livro que fala da cultura do Mundo Antigo, de seus rituais, cerimônias, mas também de leis e códigos morais de conduta.
Tendo em vista que estavam despatriados, e a lei que regia a época era o Código de Hamurab, (bastante dura para época, com punições severas de morte conhecidas como "olho por olho e dente por dente") era preciso estabelecer uma constituição específica para si, pois não havia forma de perdão ou pagamento de dívida no código regente. Nada nem ninguém poderia redimir o infrator cuja pena era desde apedrejamento até suicídio assistido.
Foi por isso que no deserto, Deus fez um pacto com Israel reafirmando a promessa feita ao ancestral Abraão, sobre lhes dar um território onde pudessem se estabelecer como povo, fornecendo-lhes leis para que um estatuto nacional fosse implantado, dando identidade a Israel como nação.
Essas leis falavam a respeito de tudo: relacionamento com Deus (Lv 17), com as pessoas (Lv 4), a instituição do casamento, da família, divórcio, processo e leis trabalhistas, o que era crime, tipos de punição aos criminosos, descanso semanal, anual e datas comemorativas (Lv 23), leis para agricultura e pecuária (Lv 19,25), criação e educação dos filhos, aquisição de propriedades, servos (Lv 19:13), perdão e pagamento de dívidas, cuidado dos órfãos e das viúvas, prevenção e diagnóstico de doenças (Lv 13), a purificação das casas (Lv 14:33-56), higiene pessoal, como proceder numa guerra e muito mais.
É um livro com muita tipologia, pois fala da remissão de pecados através da morte de um inocente, apontando para a forma que Cristo morreria e Seu propósito nesta Terra (Lv 4:1-35; Is 53:7,55); explica a ação do remidor (Ef 1:7), pessoa que se colocava no lugar do devedor pagando sua dívida (Lv 25:25-28), apontando que Cristo era quem nos redimiria diante do Pai (Cl 1:14); e sobre a justificação (At 13:39; Rm 5:1), quando alguém assumia a culpa de terceiros a fim de tomar a pessoa em resgate de uma dívida, fazendo dele um servo fiel, tal qual nós o somos hoje de Cristo, pois Ele nos justificou diante de Deus assumindo nosso pecado e pagando a dívida que era contra nós (Gl 3:13).
O livro de Levíticos nos mostra que Deus abria concessões para pecados por ignorância e dava o direito do infrator se redimir através do sacrifício de animais, essa era a principal diferença entre o Código de Hamurab e as leis escritas por Moisés.
Eu amo esse livro, apesar de muitos não o entenderem ou acharem chato tantas leis, como historiadora, enxergo a riqueza de detalhes nas práticas antigas e o extremo cuidado em registrar às futuras gerações, uma época tão remota para provar que as civilizações antigas também eram estruturadas e organizadas.
Deus sempre nos garante uma forma de proteção, e mesmo que muitos não compreendam Seus mandamentos, eles existem para nos frear de nós mesmos, de nossos impulsos naturais para o mal (1 Jo 3:4). A Lei servia para os proteger e a sua obediência a elas garantia o livramento do mal (Dt 5:29).
Obedecer a Deus é confiar na Sua soberania, sabendo que Sua vontade é boa, perfeita e agradável (Rm 12:2), pois no fim, Ele se levanta em nosso favor (Jó 19:25-27) para cumprir Seu propósito especial (Jr 29:11).
Tal como um cadeado protege uma porta e uma senha protege nossas contas, a Lei nos protege do invasor, que tenta nos roubar. Por isso precisamos tê-la em mente, pois só ela abre portas e libera nosso acesso ao mundo espiritual, privando a entrada do intruso em nossa mente e guardando nosso bem maior que é a vida.
Tenha em mente a Lei do Senhor e use-a para sua proteção resguardando sua vida do mal.
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